domingo, maio 22, 2005
One more adventure

div/> Star Wars: Episode III - The Revenge of the Sith
Bem, o que eu posso dizer?
Quem me conhece sabe que não curto filmes de SciFi, mas Star Wars pessoas, Star Wars me pegou por dois aspectos primordiais:
1) Roteiro. Eu fui relativamente fanática pelo roteiro do SW na adolescência, tenho os 3 livros em português de Portugal, etc etc. Porque ele pode ter efeitos e mais efeitos, pode ter sido ambientado in a far away galaxy, mas não é simplesmente uma história de mocinhos bonitos e princesas contra grandes vilões feios e malvados, ao contrário disso, ele trata do que há de melhor e de pior dentro de nós, esse imenso buraco negro chamado eu, o id versus o superego, a batalha da qual resultará o equilíbrio da sua personalidade consciente, ou como queiram, da galáxia. A eterna luta do bem contra o mal, deus e o diabo... Enfim, o que importa: o homem contra ele mesmo. E nesse sentido, é um roteiro como poucos. Histórias que envolvem elementos intrínsecos à natureza humana. Matrix é o cacete. Ahahahahahahahaha, pior que é.
Mestre Guimarães Rosa já dizia, nas palavras de Riobaldo:
" Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem - ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidadão, é que não tem diabo nenhum (...). Eh, o senhor já viu, por ver, a feiúra do ódio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? (...) E gavião, corvo, alguns, as feições deles já representam a precisão de talhar pra adiante, rasgar e estraçalhar a bico, parece uma quicé muito afiada por um ruim desejo. Tudo. Tudo. Até em tortas raças de pedras, horrorosas, venenosas - que estragam mortal a água, se estão jazendo em fundo de poço; o diabo dentro delas dorme: são o demo. Se sabe? E o demo - que é só assim o significado dum azougue maligno - tem onde de seguir o caminho dele, tem licença pra campear?! Arre, ele está misturado em tudo."
Parece óbvio dizer isso agora, após falar sobre SW, parece um clichê barato, mas todos temos um lado negro e a força, e justamente o jeito como direcionamos nossas vidas, as escolhas que fazemos e suas consequências, o rumo que tomamos é que vão mostrar quem é que manda em nosso interior. Vcs já pensaram nisso?
Quem é que manda em seu interior?
Naquele baralho da insconsciência (que, no final de contas, é o que interessa), e que de repente estamos jogando nas mesas do LUX, quem dá as cartas? Ah deixem pra lá, isso é pra quem lê o Lucifer Estrela da Manhã.
2) Star Wars foi um sonho que se tornou realidade. Ok ok podem falar o que quiserem do George Lucas, mas ele idealizou essa produção, foi dífícil terminar o universo que ele tinha concebido, do jeito que ele tinha concebido, sim senhores, pois hj em dia Hollywood faz o que quiser, onde e como quiser, mas antigamente as coisas não eram tão fáceis. E no entanto ele insistiu, teve ajuda de algumas pessoas que acreditaram, e hoje estamos aqui vendo no que deu. Todos esses anos, todo esse merchan....e finalmente, todo esse $$$$. Existem idéias que valem ouro mesmo.
Eu não vou fazer spoiler, apesar de achar que todo mundo aqui já viu o novo filme, mas a impressão que dá é que Star Wars é uma quadrilogia, sendo que The Revenge of the Sith (Episodio III) é, na verdade, o primeiro, e depois deles vêm os antigos(IV, V e VI). Achei tanto isso que deu uma puta vontade de revê-los, e é o que faremos no finde que vem. Maratona Star Wars aqui.
Este último epiódio da segunda parte está espetacular. As tramas políticas estão inteligíveis, a história responde as perguntas que ficaram no ar por 16 anos (esse foi o tempo entre uma trilogia e outra), sem forçar a barra, e, apesar de já sabermos o final, o modo como os fatos se desenrolam nos deixa com um nó na garganta durante toda a sessão.
Simone e Walter se conheceram num país mediterâneo, em viagem de férias (ela) e negócios (ele), e foi amor à primeira vista. Com um mês de namoro já estavam morando juntos. Por 2 anos, foram inseparáveis, fizeram muitos jantares à luz de velas e passeios românticos de barco, embalados por planos de um futuro comum. Quando Simone finalizou os preparativos e a documentação para se mudar definitivamente para lá, Walter disse que estava confuso e terminou o relacionamento. Simone passou momentos horríveis. Não entendia como um amor tão grande poderia causar tamanha dor. Resolveu ir embora quando viu que cada lembrança se tornaria um verdadeiro tormento naquele lugar onde fora tão feliz. Voltou arrasada para seu país de origem, onde desenvolveu uma grande compulsão por bombons de licor recheados com cereja. Escondia os chocolates por todos os cantos da casa, e até no carro e na bolsa. No novo emprego, devorava caixas e caixas fechada no banheiro. Como os bombons eram caríssimos, fez dívidas no cartão para pagá-los. No auge dos 80 quilos adquiridos em 8 meses, e no limite do cheque especial, escreveu uma carta para o amante, tentando convencê-lo a voltar. Falou de todos os momentos que haviam compartilhado, de como Walter a havia abandonado, de como ela ainda o amava. Walter, sensibilizado, viajou para conversar pessoalmente. Foi um reencontro emocionante para ambos. Walter conheceu a família, o cachorro e a compulsão. Mesmo com 80 quilos a mais, Walter disse que a queria de volta. Ao ler a carta, percebeu que a amava mais do que nunca, que Simone era uma mulher única, a mulher da sua vida. Despediram-se sob juras de amor, num luau com direito a fogueira, colares havaianos e um anel de diamantes. E Walter deixou o dinheiro da passagem, para que Simone fosse em seguida morar com ele definitivamente. Logo depois da partida de Walter, Simone chorou. Mas já havia decidido. Devolveu os presentes. Não atendeu aos telefonemas. Não se encontraram e nem se falaram novamente. Agora, Simone amava mesmo os bombons de licor recheados com cereja. E ao longo de toda a sua vida, ela nunca mais se livraria do vício do álcool com açúcar.
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