segunda-feira, outubro 31, 2005
Quando a semana ja começa mal...
Eu disse ao meu irmão, que estava de tocaia na janela:
- Cuidado!!! Lá fora há dois terroristas.
Puxei-o para baixo, na tentativa de escondê-lo, mas não houve tempo. Eles nos viram e começaram a subir as escadas, gritando expressões em sua língua. As expressões lembravam gemidos de algum animal machucado. Os passos se aproximavam rapidamente. O nervosismo era tanto, e, por um momento, parecia que as próprias batidas do meu coração nos haviam denunciado. A respiração faltava.
A última coisa que pude fazer foi gritar para o outro rapaz, que me observava nervoso e tremia, sem ação:
- Vamos, porra! Passa essa arma pra mim caralho!!!
Foi só
Barulho de explosão, gritaria.
Um dos terroristas entrou no quarto, me pegou pelos cabelos e apertou sua carabina contra minha testa, murmurando palavras ininteligíveis. Eu, numa posição ruim, meio de joelhos, meio em pé, me retorci, buscando apoio em seu braço, mas o seu suor, misturado ao meu, me fazia ecorregar. Não adiantava falar nada. Não adiantava fazer nada.
Senti o metal frio machucando, e fechei os olhos quando ele disparou à queima roupa.
Depois disso, só me lembro de conversas, cheiro de cigarro misturado a algo muito podre, goteiras, vários corpos nus espalhados num lugar parecido com um grande esgoto.
Os terroristas continuavam falando alto e analisando os corpos, para ver se todos estavam mesmo mortos. Mutilaram vários. Então, um deles encontrou meu corpo, muito sujo, cabelos molhados, e começou, sorrindo, a arrancar minhas unhas, uma por uma, com um canivete de mão. Eu não sentia mais.
Por fim, tudo havia se acabado da forma que deveria ser.
Afinal, éramos humanos, e era assim que funcionava...

